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Jovem atuando na atividade do curso: MÚSICA,
com planos de carreira na profissão: “aprendi uma profissão”,
mas insatisfeito com a situação atual: inserção precária
Fortaleza
De Zé Ramalho a Djavan...
PROTAGONISTA: MOISÉS
Moisés é descendente de índios e acaba de completar 20 anos. Mora com uma família que o adotou, ainda pequeno. Mais sete pessoas residem na casa: os pais adotivos, uma irmã da mãe e uma filha do casal, com seu marido e uma criança pequena. Moram na periferia de Fortaleza, em um bairro com infra-estrutura precária. Apenas duas pessoas têm renda regular: o “pai” e o “cunhado”. Moisés tem renda eventual. Parou de freqüentar a escola. Estava na 7ª série, em 2000. Fez o curso de música.
Trabalha na atividade do curso: é um dos músicos de uma banda de forró com que tem um vínculo informal.
ELENCO DE APOIO: CRISTIANO E FÁBIO
Cristiano é casado, há sete anos, com a irmã adotiva de Moisés.
Fábio é o líder da banda, administrada por seus pais que também atuam como empresários. Tem 24 anos e é o mais velho dos músicos.
CENÁRIO: Organização Capacitadora
As entrevistas com Moisés e Cristiano foram realizadas nas dependência da Pirata Forró Solidário, porque eles preferiram assim. A sede ocupa quase um quarteirão, na Praia de Iracema.
A entrevista com Fábio foi feita por telefone, único modo de viabilizá-la, pelas viagens constantes.
SINOPSE: AS INFLUÊNCIAS DO CURSO NA TRAJETÓRIA DE MOISÉS
Participar dessa capacitação não exerceu influência no plano da educação formal. Além de Moisés não gostar muito de estudar, a tendência, como músico, é de viajar bastante. É um meio de divulgação das bandas e possibilita maiores ganhos financeiros para todos os participantes. Juntando um fato ao outro, é pouco provável que Moisés cumpra suas intenções e promessas de chegar até o ensino médio.
No plano pessoal, contudo, o curso teve efeitos marcantes no comportamento de Moisés. Ficou mais autoconfiante e, assim, mais descontraído e expansivo. Também mais flexível, mais responsável e acredita que adquiriu uma nova forma de ver a vida, de estabelecer objetivos e como lutar por eles.
Mas o efeito mais importante foi mesmo no plano profissional. Começando pela escolha da profissão e definição de um projeto para viabilizá-la, passando pela assimilação da postura mais adequada e chegando a um salto qualitativo na performance como músico.
Assim, de um lado, Moisés se sente mais preparado para lutar pela profissão e para desempenhá-la. De outro, é bem cético quanto à possibilidade de sucesso profissional. Discorre largamente sobre o assunto, mencionando suas próprias dificuldades e a alta competição do mercado. Emprego para músico, via de regra, não sai em jornal, nem se inclui entre as profissões que as agências de emprego, ou encaminhamento ao mercado de trabalho englobam. Está mais condicionado às relações pessoais, ao “boca-a-boca”. Moisés sabe muito bem disso.
Apesar de todos os empecilhos, porém, o que Moisés quer mesmo é continuar nessa profissão. Seus planos incluem busca de melhores oportunidades e melhores ganhos. Na expectativa, inclusive, de contribuir para a manutenção da família que o adotou. E aprimoramento constante.
Prova disto, está no jogo projetivo final. Moisés disse que, antes do curso seria parecido com o Zé Ramalho e, hoje, com Djavan. Os motivos? Nas próprias palavras do Moisés:
“Eu acho que era o Zé Ramalho. Hoje eu já parto mais para o Djavan. Porque o Zé Ramalho ele toca mais com notas naturais, só aquelas seqüenciazinhas, pouca nota dissonante. O Djavan não. O Djavan ele já bota muita nota. numa música dele, no mínimo, na menor que eu ouvi tinha umas dezenove notas e cada nota uma diferente da outra.Antes de eu começar a fazer o curso, eu gostava de tocar coisa que tinha pouca nota e nota fácil. Agora, depois que eu já aprendi várias substituições de nota, onde eu posso colocar nota, onde eu não posso, aí eu já parto mais para o lado do Djavan.”
No entanto, embora tenha definido que ser músico é mesmo seu projeto profissional e esteja satisfeito com o salto que o curso possibilitou em seu desempenho, está bastante preocupado – e insatisfeito - com suas chances imediatas e futuras de inserção no mercado de trabalho e, portanto, de auferir renda mais regular.
As uvas ainda estão muito verdes!
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