Breve história de vida de representantes dos grupos
 

Jovem atuando em outra atividade:
TURISMO X ATENDENTE EM CLÍNICA ODONTOLÓGICA.

Planos profissionais: turismo ou enfermagem?
Mas satisfeita com o curso feito: “aprendi a ser profissional”.

Rio de Janeiro
Do turismo acidental ao plantão médico...

PROTAGONISTA: SHIRLEY
Shirley é negra, tem 21 anos. Seu pai cursou até a 8ª série do ensino básico, é motorista de ônibus e separou-se da mulher, há mais de 18 anos. Shirley mora com a mãe e um irmão. Os três trabalham, mas a renda mensal é cerca de 3 salários mínimos. Ela terminou o ensino médio e já havia feito dois cursos profissionalizantes: enfermagem e informática. Fez curso de turismo étnico.
Trabalha como assistente, em clínica odontológica. Na época da entrevista, exercia essa função há quase um ano, mas, apesar das promessas, a clínica ainda não formalizara sua contratação.

ELENCO DE APOIO: ANA MARIA E ROGÉRIO
D. Ana Maria é a mãe da Shirley. Completou o ensino básico – até a 8ª série – mas trabalha como servente, em uma escola. Teve 7 filhos, porém perdeu 2 filhas antes da Shirley nascer. Dos 5, 4 são homens. Shirley, portanto, além de única mulher é a caçula da família. Solteiros, só ela e um irmão de 25 anos. D. Ana já tem 7 netos, de 6 meses a 6 anos. Rogério é dentista e sócio da clínica em que Shirley trabalha.

CENÁRIOS: CASA E CLÍNICA
A casa fica em bairro popular, na periferia da cidade. É equipada com: refrigerador, 3 TVs coloridas, aparelho de vídeo e de som, telefone fixo. Tem automóvel. Na entrada, há um pequeno altar budista. Mãe e filha fazem orações, quando chegam de fora.

A clínica fica em bairro de classe B. Pertence a dois dentistas.
SINOPSE: AS INFLUÊNCIAS DO CURSO NA TRAJETÓRIA DE SHIRLEY

Shirley sempre se empenhou e procurou se preparar para uma atividade profissional. Fez cursos de enfermagem e de informática, antes do curso. Espalhou currículos visando ao cargo de auxiliar de enfermeira, mas foi em vão. Acabou aceitando o primeiro emprego que apareceu, mesmo não sendo em nenhuma das atividades para as quais se preparara.

Nem os cursos que fez antes, nem o curso de turismo, tiveram a conseqüência mais direta de inserção laboral em uma das áreas de capacitação feitas.

A capacitação feita, entretanto, teve outros efeitos na trajetória de Shirley.

No plano pessoal, adquiriu mais segurança e isso se reflete em seus relacionamentos familiares, pessoais e profissionais. Ganhou autoconfiança. De tímida passou a desinibida.

No plano profissional, de um lado, Shirley não está satisfeita nem com seu cargo e funções atinentes, nem com o salário, nem com a empresa.

Demonstra, por outro lado, um sentimento de autogratificação, porque acredita que sabe ser uma pessoa profissional, que aprendeu condutas e posturas que agora fazem parte de sua performance no trabalho, qualquer que seja ele. E atribui isto ao curso feito.
“Eu passo muita confiança e acho isso legal. Se não fosse o curso, eu não ia trabalhar esse meu lado. A parte também de aprender a respeitar os outros, isso eles passavam muito bem. Hoje, eu sei me portar no trabalho. Não só nesse, aprendi prá qualquer trabalho.”

As personagens de novela em quem Shirley se projeta, antes e depois do curso, confirmam o que ela assimilou e incorporou:
“Antes, eu era como a Cláudia Raia, num papel de uma novela. Ela era secretária, mas era meio atrapalhada, meio escandalosa, muito estabanada. E hoje eu seria a Ivete ¬– outra personagem de novela – porque ela é paciente, responsável, sabe agir e se portar, quer ampliar seus conhecimentos. É muito profissional.”

Além dessa faceta mais subjetiva, objetivamente falando, Shirley já começou a trilhar o caminho que escolheu: a escola superior de enfermagem.

A maior parte das uvas não está mais verde!