Breve história de vida de representantes dos grupos
 

Jovem atuando na atividade do curso: RECREAÇÃO INFANTIL.
Alto grau de satisfação e com planos de carreira, em nível superior:
“descobri minha vocação...”

São Paulo
De bebês para adolescentes...

PROTAGONISTA
Marilene é branca, tem 20 anos, e vive com a família. Moram na casa: seus pais e um irmão de 40 anos, separado da mulher, que estava desempregado. O pai, que não chegou nem à 4ª série do ensino básico, é aposentado, mas trabalha eventualmente como pedreiro. A mãe é dona-de-casa. Assim, Marilene e seu pai são os responsáveis pela manutenção da família. Marilene terminou o ensino médio em 2000 e fez, no segundo semestre de 1999, o curso de animação cultural e recreação infantil. Trabalha em uma creche como Assistente de Desenvolvimento Infantil.

ELENCO DE APOIO: D. DIOMAR, MARLI E LUIZA
D. Diomar é a mãe de Marilene. Tem outros cinco filhos. Excetuando o filho separado e Marilene que é a caçula, os outros são casados e têm suas próprias casas. Assim como seu marido, D. Diomar tem baixa escolaridade.
Marli é irmã de Marilene. Tem 23 anos, está desempregada, buscando uma ocupação. Completou o ensino médio e fez curso de computação. Estava em visita à mãe e participou da entrevista. Luiza é a supervisora de Marilene, na creche São Savério que iniciou atividades em dezembro de 2000.

CENÁRIOS: CASA E CRECHE
A casa fica no bairro de São Savério, em conjunto habitacional. São casas construídas no sistema de mutirão e faltam acabamentos internos. A família dispõe de refrigerador, rádio, televisão colorida, aparelhos de som e vídeo, telefone e computador.

A creche fica no mesmo bairro.

SINOPSE: AS INFLUÊNCIAS DO CURSO NA TRAJETÓRIA DE MARILENE
O curso exerceu influências importantes na vida de Marilene, além do emprego.

No plano pessoal, sente-se muito mais autoconfiante: de alguém que sequer conseguia se comunicar, passou a expressar suas idéias com segurança, seja no âmbito familiar, seja em seus relacionamentos sociais, seja no trabalho. Antes, segundo ela própria, sua inibição era tanta que não conseguia nem conversar com as pessoas

Além disso – ou por causa disso – não se sente mais solitária. Consegue até extravasar e transmitir alegria. Segundo ela, a melhor palavra que a definia, antes do curso, era “sozinha” e, depois do curso “alegre, contente”. Tanto que um palhaço é a personagem com que mais se parece.

“Hoje, eu acho que eu sou uma palhaça, porque eu alegro todo mundo.”

Mas o teve outro efeito ainda mais marcante: a alteração de seu projeto de vida. Seus planos, antes, eram terminar o ensino médio e casar – estava até noiva. Após o curso, decidiu que devia continuar estudando e trabalhando. Mais que isto, identificou-se com uma área de atividade profissional. Quer continuar como educadora e já sabe em que especialidade. Pretende fazer curso superior de matemática e dar aulas para adolescentes.

Na opinião de Luiza, o curso contribuiu diretamente para o desempenho de uma profissão. Seja no sentido de descoberta de uma atividade possível, seja no aprendizado para isso. Tanto que, ao ser convidada para trabalhar em uma nova creche, convocou Marilene e mais seis moças do mesmo curso para trabalhar com ela.

Em síntese, Marilene está muito feliz: por estar empregada, por estar gostando muito de seu trabalho, por ter descoberto sua vocação e por se sentir confiante em que vai viabilizar seu projeto. Acredita que está em atividade em expansão no mercado de trabalho e que isso lhe garante a manutenção de seus estudos daqui em diante.

As uvas não estão mais tão verdes!